Editando: Esse foi um dos posts mais difíceis que eu já escrevi. Puta que pariu.
A Melissa veio conversar ontem à noite. Ela veio me perguntar umas coisas meio estranhas que eu não consegui responder com muita precisão mas depois que ela foi embora eu fiquei com aquelas perguntinhas na cabeça.
Amanhã é dia. Amanhã é o início da semana. Amanhã é o início de um início. Mas com todas as perguntas que Melissa me fez eu estou honestamente confusa. Não sei mas o que começa e o que termina. Na verdade, eu não tenho certeza se tem alguma coisa que tem que terminar pra outra poder começar. E isso me leva a pensar: será que eu termino tudo que eu começo?
Sei lá.
Eu poderia fazer uma lista de coisas que eu comecei e não terminei porque eu não quis continuar. Uma lista de coisas que eu não terminei porque as coisas em si não terminaram. Uma lista de coisas que eu terminei sem começar. Cacete. Muito difícil.
Vamos mudar de assunto um pouco, vai.
Eu não vou escrever aqui como se eu fosse especialista em nada porque eu não sou mesmo. Não sou especialista nem em mim mesma.
Uma pessoa muito querida tem uma doença que eu só conheço e falo por um pouco de convivência e por muita informação passada pra mim por outras pessoas amadas que assistem e ajudam como podem no dia-a-dia. Essa doença é chamada Alzheimer's - até tive que procurar como se escreve.. Está numa lista na qual eu nunca escrevo, sobre a qual eu nunca falo e aonde eu não quero trabalhar. Mas cada dia que passa é inevitável ignorar. É algo que acaba com o seu semblante, deixa as pessoas à volta com os nervos à flor-da-pele, dói em vários sentidos e nunca melhora ou dá tempo pra aceitação. Faz me sentir inútil e sem poder algum.
Isso me leva de volta a uma das perguntas que a Melissa me fez. Dr. Empório pediu pra ela tentar trabalhar a aceitação. Aceitação de si mesma. Pediu que ela identificasse padrões e sintomas em sua vida que ela não pode mudar e tentar aceitá-los. Ela queria saber se eu poderia ajudá-la a identificá-los já que eu vejo a vida dela por uma janela diferente da que ela vê. Eu não respondi. Não com relação a ela.
Bom. Eu volto pro Alzheimer's. Acho que a doença é a única coisa que eu posso identificar presente na minha existência que eu não posso mudar. Eu odeio admitir isso, mas não posso. Ainda não aceito nem que a doença existe e me afeta, nem que não há nada que eu possa fazer. Mas certamente, eu só terei duas portas por onde entrar: fazer pazes com ela agora ou deixar que ela caia no esquecimento levando a dor deixada pra trás pelos anos em que nos perseguiu.
Que Alguém me ajude.
Esse post eu dedico a minha família que dói todo dia com a presença dessa doença que arrasa a gente. Vó, eu te amo.