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sábado, 11 de setembro de 2010

Uma taça de vinho com Melissa e muitos pesadelos.

Melissa fez uma visita ontem. Conversamos muito sobre o que ela tem vivido de alguns tempos pra cá e o motivo de termos nos afastado um pouco.

Eu estava cá recedendo minha família. Ainda estou tentando fazer um album pra Dona Vó com os nomes dos lugares que visitamos e fotos.

Melissa estava lidando com uma coisa chamada CASA. Eu sei bem que isso toma muito tempo.

Nesse meio tempo, eu de cá tentava arrumar a minha de forma que a Mah e a Dona Vó tivessem uma cama pra dormir e um espaço pra pôr suas malas. Visitamos lugares que eu apreciei muito, fizemos umas compras que eu não apreciei tanto, fizemos um pic-nic num lugar lindo, celebramos aniversário em Las Vegas. Uma das coisas que eu tenho aprendido e tenho tentado - é mais fácil falar do que fazer, viu? - é impôr meus limites sobre mim mesma. Nessa história, eu me fiz ir à terapia porque era importante pra mim. Me fiz também expôr o desconforto de receber uma visita e não ser visitada. Com isso muita gente ficou emputecida e ignorou algumas boas maneiras. Mas ninguém disse que delinear limites me traria fãs. Estou de bem com isso.

A Melissa por outro lado, estava à beira de um ataque de nervos porque não conseguia entrar em acordo com os outros que moram com ela. Ela e marido mudaram-se recentemente pra um lugar aonde eles tem que dividir espaço e território. Não foi algo que ela gostou muito, mas devido a crise econômica do país, foi a forma que eles encontraram de ter um teto em um lugar com distância razoável aos devidos locais de trabalho. Afinal de contas, o que adianta pagar muito menos de aluguel numa casa e ter que pagar 3 vezes mais gasolina pra chegar ao escritório? Bom, no caso deles, não valia a pena. E Melissa descobriu que teria muito o que aprender no quesito lidar com pessoas. Ela não poderia mais sair do banho pelada e nem sequer usar o banheiro por horas pra fazer cabelo e maquiagem. Ela não poderia mais sair pra fazer compras e deixar a lavadora de roupa funcionando porque se alguma peça não deveria ir pra secadora, só ela saberia e se preocuparia em tomar o cuidado de tirá-la de lá. E essa lição custou-lhe dois pares de calças jeans.

Não posso dizer que aqui as coisas são perfeitas não. Se morar com os nossos pais e irmãos muitas vezes é um pé no saco, imagine morar com os pais e irmãos dos outros. Gente, no geral, é um pé no saco. E pior ainda se a gente não consegue se reservar a tomar conta da nossa própria vida. Por isso, eu vivo a minha, interajo com quem está disponível, tento manter o respeito pelo espaço alheio e ordernar os limiter no meu próprio espaço. E eu estou muito bem, obrigada.

E assim vai. A gente divide experiências, palpita de vez em quando, mas acima de tudo, mantemos o pé no chão e a cabeça aberta.

Pesadelos depois do pulo.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Boba da Corte

Conversando com a Melissa hoje a gente chegou a uma conclusão. Algo que nos conecta.
Nós passamos a vida tentando agradar, sendo legais com este e aquela, querendo sempre o bem dos outros - há quem seja contra, mas este não é o caso - e nos perguntamos:

Aonde é que essa bondade toda me levou:

Não vou falar dos pontos específicos de cada uma. Vou só passar por cima do que descobrimos em comum.

1- Estamos cercadas de gente que acha que a gente não sabe dizer não, então sempre que há algo que eles querem que nenhum outro imbecil vai concordar em fazer, eles vem falar com a gente. (A verdade é que a gente é mesmo o imbecil pra quem você vai pedir as coisas que ninguém vai fazer e a gente vai.)

2- Estamos cercadas de gente que dão umas migalhas de atenção aqui e acolá e a gente acha que tá bom pra não perturbar demais a pessoa. Daí com o tempo, a gente acha ruim que não há reciprocidade na relação e acaba criando ressentimentos pela pessoa em questão.

Fragale boazinha não existe mais. A partir de hoje vou exercer meu direito de dizer não e descobrir que há várias coisas além de "feliz". Tais como frustração, mágoa, perdão (tá.. perdão ainda tá longe pra mim... mas vamos tentando..) e aceitar que apesar de não serem sentimentos maravilhosos, ainda são meus e ninguém vai tirá-los de mim ou me fazer sentir menor por sentí-los.

Amanhã, vou exercitar. Pra todas as perguntas que me forem feitas a minha resposta vai ser não. E não adianta tentar me enganar porque no fim das contas, "não" não é a palavra-chave. ;)

cumprende?

domingo, 25 de abril de 2010

Que Alguém me ajude.

Editando: Esse foi um dos posts mais difíceis que eu já escrevi. Puta que pariu.





A Melissa veio conversar ontem à noite. Ela veio me perguntar umas coisas meio estranhas que eu não consegui responder com muita precisão mas depois que ela foi embora eu fiquei com aquelas perguntinhas na cabeça.

Amanhã é dia. Amanhã é o início da semana. Amanhã é o início de um início. Mas com todas as perguntas que Melissa me fez eu estou honestamente confusa. Não sei mas o que começa e o que termina. Na verdade, eu não tenho certeza se tem alguma coisa que tem que terminar pra outra poder começar. E isso me leva a pensar: será que eu termino tudo que eu começo?

Sei lá.
Eu poderia fazer uma lista de coisas que eu comecei e não terminei porque eu não quis continuar. Uma lista de coisas que eu não terminei porque as coisas em si não terminaram. Uma lista de coisas que eu terminei sem começar. Cacete. Muito difícil.

Vamos mudar de assunto um pouco, vai.


Eu não vou escrever aqui como se eu fosse especialista em nada porque eu não sou mesmo. Não sou especialista nem em mim mesma.


Uma pessoa muito querida tem uma doença que eu só conheço e falo por um pouco de convivência e por muita informação passada pra mim por outras pessoas amadas que assistem e ajudam como podem no dia-a-dia. Essa doença é chamada Alzheimer's - até tive que procurar como se escreve..  Está numa lista na qual eu nunca escrevo, sobre a qual eu nunca falo e aonde eu não quero trabalhar. Mas cada dia que passa é inevitável ignorar. É algo que acaba com o seu semblante, deixa as pessoas à volta com os nervos à flor-da-pele, dói em vários sentidos e nunca melhora ou dá tempo pra aceitação. Faz me sentir inútil e sem poder algum.
Isso me leva de volta a uma das perguntas que a Melissa me fez. Dr. Empório pediu pra ela tentar trabalhar a aceitação. Aceitação de si mesma. Pediu que ela identificasse padrões e sintomas em sua vida que ela não pode mudar e tentar aceitá-los. Ela queria saber se eu poderia ajudá-la a identificá-los já que eu vejo a vida dela por uma janela diferente da que ela vê. Eu não respondi. Não com relação a ela.

Bom. Eu volto pro Alzheimer's. Acho que a doença é a única coisa que eu posso identificar presente na minha existência que eu não posso mudar. Eu odeio admitir isso, mas não posso. Ainda não aceito nem que a doença existe e me afeta, nem que não há nada que eu possa fazer. Mas certamente, eu só terei duas portas por onde entrar: fazer pazes com ela agora ou deixar que ela caia no esquecimento levando a dor deixada pra  trás pelos anos em que nos perseguiu.

Que Alguém me ajude.


Esse post eu dedico a minha família que dói todo dia com a presença dessa doença que arrasa a gente. Vó, eu te amo.

sábado, 3 de abril de 2010

a história de Melissa - apenas o começo.

Melissa ama Alex.


Alex faz Melissa se sentir bem consigo mesma. Alex faz Melissa se sentir independente e auto-suficiente.


Ou é Melissa que faz isso consigo mesma?


Porque é que as coisas não funcionaram com Fábio? O Fábio também fazia Melissa se sentir bem.


Mas Melissa não se sentia assim sobre si mesma quando estava com Fábio. Era então culpa do Fábio?


Melissa ficou sozinha por um tempo. Melissa se sentia útil, inspirada, bonita, suficiente.


Então porque foi que Melissa abriu portas pra Alex?


Eu acho que é porque ela não PRECISAVA dele. Mas porque ela QUERIA ele. Quer.






Amor é amor? Ou amor é a conveniência de não ir à loucura, de não ter que dirigir milhas ou sofrer aquele frio na barriga porque desta vez, esse amor, atende o telefone quando você liga?


Melissa veio até mim pra me contar essa história. A história de Melissa pode ser uma lição pra você também.  Tenha uma boa leitura.

Um dia ela acordou e pensou: "Caralho... eu tô ficando louca".

Daí ela resolveu procurar alguma ajuda. A ajuda em casa era nula porque todo mundo trabalha e tem seus próprios problemas.

Ela queria atenção. Mas não era pouca não. Era atenção 24 horas, 7 dias da semana. E ela lavava a louça achando que todos apreciariam as boas intenções que ela tinha e alguém apareceria com um forte abraço. Ela alimentava as crianças - pra que ninguém tivesse que fazê-lo ao chegar em casa depois de um dia cansativo de trabalho. Ela fazia a cama do casal e acendia velas antes de eles chegarem em casa - do jeitinho que eles gostavam.

Tudo tinha um motivo. Ela queria ser notada. Mas nunca conseguia o queria. Ela esperava pela atenção e achava que o amor que ela tinha era baseado em tudo o que ela fazia pelos outros. E que um dia; um belo dia, ela seria recompensada com toda a atenção que ela queria.

Muito tempo se passou e ela começou a ficar muito cansada. Sua pele começou a enrugar apesar de sua pouca idade. Seus olhos estavam sempre vermelhos e inchados por causa da insônia e do choro. Sua capacidade de respirar era quase nula - ficava cansada só de lavar um pratinho. Seus cabelos, sem brilho, começaram a cair. As unhas, esverdeadas e mofadas. Ela já não tinha mais digitais.

Melissa ouviu falar sobre o Doutor Empório. Foi vê-lo. E esse foi o fim de sua vida.

De sua vida como era, pelo menos. Ela descobriu poder dentro de si mesma. Poder de auto-satisfação, poder de auto-suficiência. Como era bom passar tempo sozinha e como era prazeroso o silêncio em volta de Melissa. Sua pele voltou a ser branquinha, cheirosa e super sedosa. Seus cabelos começaram a nascer novamente. Só que desta vez os fios estavam saudáveis e brilhosos. Ela dormia como uma criança. Doutor Empório abriu as portas de uma vida para Melissa.

No entanto Melissa e Doutor Empório não poderiam trabalhar juntos e Melissa foi à caça de alguém que pudesse ajudá-la a fazer manutenção constante em sua vida. Foi então que Melissa conheceu Doutora Robins. Elas se deram bem logo de cara e tiveram um relacionamento lindo de mais de um ano. Dr. Robins ajudou Melissa a dormir bem sem ter que chupar aquelas balinhas ao deitar-se e como cuidar pra que suas unhas se mantivessem fortes pra sempre. Melissa se viu independente da ajuda de Dr. Robins e muito feliz com o progresso que tinha feito. Dr. Robins seguiu sua vida e Melissa encontrou alguém com quem ela se sentia interessante e não precisava se esforçar muito pra amar ou ser amada. Apesar de Melissa nunca ter esquecido de seus outros amigos, eles estavam fisicamente longe pra dar-lhe o que ela precisava. Mas agora, ela também não precisava das mesmas coisas. E suas conexões com seus amigos melhoraram demais.

Melissa encontrou em Alex algo que ela nunca teve antes. Tamanho suporte e confiança eram inimagináveis para Melissa, mas ela se viu imersa em um lugar protegido e bem cuidado e lá ela se enfiou. Alex ajudava Melissa em tudo e vice-versa. Eles cozinhavam juntos, arrumavam camas juntos, faziam compras juntos e mais importante - pra Melissa - era como Alex a aceitava e a ajudava no seu processo terapêutico. Melissa sente, ainda hoje, que todo dia é mais um dia de esforço pra que tudo fique bem. É um esforço pra lembrar o quanto ela é importante e como ela deve ser mais importante que qualquer outra pessoa - em sua própria vida. Alguns chamam Melissa de egocêntrica. Melissa gosta de dizer que é auto-suficiente. Eu acredito que ela seja mesmo.

Há algumas semanas atrás Melissa voltou pra terapia com outro médico e tudo tem sido um mar de rosas. Ela acredita que todo dia é uma batalha a ser vencida e se sente sufocada pelo próprio passado. Mas Alex está sempre lá pra ajudá-la. Melhores amigos. Melissa parece estar feliz.

Melissa descobriu durante o período em que estava com Doutora Robins que ela precisaria de suporte durante a terapia que não fosse apenas Dr. Robins. Ela procurava pessoas em quem poderia treinar seu auto-controle e usar as ferramentas que tinha conseguido para convivência num mundo de pessoas - não de pílulas. E ela passava de uma pessoa pra outra com mais e mais confiança em si mesma e sempre determinada a não deixar que ninguém a fizesse de boba. Nunca mais. Ela criou mecanismos de defesa bem fortes e se safou de várias enrascadas com eles. Porém um dia, Melissa percebeu que apenas treinar o uso de suas novas geringonças não era suficiente. Ela queria vivê-las. 

Por enquanto, Melissa tenta vivê-las com Alex e se sente confiante de que terá um início feliz com ele.

Vamos aguardar, pra quando Melissa quiser nos visitar e nos contar mais - novamente.